Ecoprint ou Impressão Botânica

Recentemente participei de uma oficina de impressão botânica em tecidos e gostaria de compartilhar essa experiência com vocês. Essa técnica foi criada pela australiana India Flint que, após observar as impressões de folhas de eucalipto nos ovos aquecidos por um passáro em um ninho úmido, resolveu embrulhar folhas de eucalipto em um tecido de seda. O resultado foi impressões de folhas com detalhes incríveis, sem a necessidade de mordentes (fixadores).

E assim, através de experimentações com os mais variados tipos de plantas, tecidos e mordentes, surgiu o Ecoprint. Essa “técnica de impressão botânica faz uso do contato de plantas em fibras naturais e do calor para a transferência dos pigmentos. É uma forma sustentável de criar e reformar roupas, utilizando pouca água e materiais acessíveis de baixa toxicidade no descarte. Uma experiência simples e sensorial, que resgata aromas e texturas da nossa memória afetiva.” [1]

O tecido a ser utilizado no processo deve ser composto de fibras naturais, podendo ser tanto de origem vegetal (algodão, linho, cânhamo) quanto animal (seda, lã). O resultado da impressão costuma ser mais satisfatório em fibras animais, ricas em proteína. Nem todas as plantas tem a capacidade de imprimir, são indicadas as que possuem “altas concentrações de princípios colorantes, como álcoois fenólicos, taninos, flavonóides e antraquinonas.” [2]

[Estas foram as plantas disponíveis na oficina, dentre elas: pétalas de rosa, folhas de eucalipto, folhas de casuarina, flor de hibisco, flor de camomila, casca de cebola, urucum, erva mate, chá preto e açafrão.]

A primeira parte da técnica consiste na lavagem do tecido (processo conhecido como purga), que deve estar bem limpo para que não prejudique o resultado final. Logo após a sua secagem é feita a mordentagem (mergulho do tecido no mordente – “substância associada ao tingimento com a função específica de manter a durabilidade da cor, conferindo maior resistência às lavagens e exposição ao sol” [3]). Para isso, nós utilizamos o sulfato ferroso.

As plantas utilizadas no procedimento também devem ser mergulhadas no mordente. É recomendado a utilização de luvas para que as mãos não fiquem manchadas.

Após poucos minutos, as plantas podem ser retiradas da vasilha e colocadas sobre folhas de jornal, para que o excesso de mordente saia. O tecido utilizado deve ser esticado e, utilizando a criatividade, o material escolhido disposto sobre o mesmo.

Depois disso, o tecido pode ser dobrado e enrolado. Existem várias técnicas que podem ser utilizadas, conforme o resultado desejado. Neste caso, usamos a técnica do espelhamento, colocando as plantas em apenas metade do tecido e dobrando-o ao meio.

Quanto mais justo for a dobra e o enrolamento do tecido, mais os pigmentos das plantas serão impressos no mesmo.

Em seguida, o tecido deverá ser colocado no vapor por duas horas ou fervido em água por uma hora. Como tinham várias pessoas participando da oficina, enrolamos o tecido em um pedaço de saco plástico e o amarramos com um barbante, para que não houvesse contato entre eles. Depois dessa estapa, antes de abrirmos a embalagem, devemos esperar o tecido esfriar naturalmente.

As fotos acima mostram o resultado obtido por mim, logo após a abertura da embalagem. Fiquei bem curiosa para ver o resultado final e gostei muito do que vi. As plantas nem sempre imprimem a cor que elas possuem, e isso torna todo o processo ainda mais mágico.

Cada pessoa criou um trabalho único, que dificilmente conseguirá ser replicado, pois existem uma gama de elementos que podem interferir no resultado final, tais como: época em que as plantas foram colhidas, tempo de vaporização e fervura, pressão utilizada para dobrar e enrolar, além da singularidade que possui cada planta.

Posteriormente, o tecido deve ser lavado em água corrente e seco na sombra, para então ser passado com o ferro a vapor. E assim finalizamos todo o processo, com uma peça linda e pronta para ser utilizada!

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